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Tuesday, April 03, 2007

Buenos Ayres - Argentina




AS LOJAS SÃO LINDAS, AS RUAS, SEMPRE simétricas e com quarteirões de exatos 100 metros, idem; há pouquíssimos postes a ferir a paisagem e os prédios seguem um padrão estilístico; placas de rua e até os números das casas são uniformes; come-se bem e bebem-se vinhos excelentes - e não se pagam 10% na hora da conta; táxis não são proibitivos, muito pelo contrário; algumas livrarias são verdadeiros palácios - e alguns palácios viraram hotéis; os ônibus são velhos e poluentes, é verdade, mas estão por toda a parte, sem prejuízo da expansão do metrô e do serviço de trens. Toda uma área da cidade é tomada por parques, e Puerto Madero é um exemplo de recuperação urbana. Sua música típica é complexa. No futebol, até nisso, têm uma habilidade tática inigualável. Há assaltos, como em qualquer lugar do mundo, mas a percepção de violência é baixa. Quer reconheçamos ou não que os portenhos têm uma cidade melhor que as nossas, a hora nunca foi tão propícia: com os preços dos pacotes, das passagens aéreas e a depreciação do peso argentino, conhecer Buenos Aires é levar lebre por gato. Ainda mais quando ela se oferece em duas versões: para iniciados e iniciantes. A seguir, as Buenos Aires que existem dentro de uma só capital.
Uma é a do Caminito, do Obelisco, do alfajor, dos pacotes. Outra é a de Palermo Viejo, San Telmo e... dos portenhos, digamos. Tem ainda a da moda, da arte, da descontração e da boemia. Um conselho? Fique com todas

Não é todo dia que você faz uma viagem com o objetivo de visitar uma plantação. Ou de conhecer o processo produtivo de uma fábrica - no caso, da bodega. Pois é isso que você fará em Mendoza. Com alguns aditivos. Os vinhedos são lindos. E ainda, no horizonte, está a Cordilheira dos Andes nevada. Em cada bodega você repetirá sempre o circuito plantas-tanques de fermentação-barris de carvalho. Mas nunca falta o grand finale: degustar um tinto aqui, um branco ali. Ou seja, é turismo bucólico, contemplativo, de grandes paisagens. Com ótimos vinhos e uma leve sensação de torpor o dia todo, comida boa, a preços camaradas. E você nunca mais vai segurar uma taça sem se lembrar dela.
1 O TIPO DE UVA É SÓ O PRIMEIRO SEGREDO DE UM BOM RÓTULO. Malbec, Chardonnay, Merlot, Cabernet, Torrontés. Tudo isso é nome de uva (ou cepa) plantada em Mendoza, província no centro-oeste da Argentina, colada na cordilheira/fronteira com o Chile, e que produz mais de 70% de todo o vinho argentino. Cada uma delas tem seu sabor próprio e um vinhedo com folhas e cachos únicos. Dá para adivinhar qual uva é só de olhar a planta. Logo no primeiro passeio - no meu caso, à bodega Tapiz, em Luján de Cuyo, a 15 quilômetros da cidade de Mendoza - você percebe que não é à toa que tem tanto enófilo por aí. Quem explica tudo com primor, e uma paixão que a fez famosa nas redondezas, é Carolina Fuller, guia da visitação gratuita da Tapiz. Carolina só recebe uma família por vez, apenas quatro por dia. E é das poucas que te deixam degustar, além dos vinhos engarrafados da casa, aquele que estáamadurecendo dentro do barril. Então você compara com o da garrafa - e é incrível sentir na língua que, quanto mais ele envelhece, menos ácido fica. 2 A HARMONIZAÇÃO COM A COMIDA É UMA DAS PRINCIPAIS DIVERSÕES DO ENÓFILO.O restaurante da Tapiz tinha boa fama, mas rumamos logo para a vinícola-butique Ruca Malén - normalmente se almoça na segunda ou terceira bodega do dia. A grande estrela era a comida. Pela janela do restaurante de quatro mesas via-se um enquadramento inspirador de um gramado impecável, seguido por vinhedos e pelas pontas da cordilheira. Com cada um dos cinco pratos do menu - canapé, pizzinha de berinjela com pesto de tomate seco, salada de beterraba caramelizada com queijo pecorino, medalhão de filé mignon com legumes, mousse de doce de leite -, um vinho certo. Branco, tinto, até de sobremesa, das diversas linhas da casa. Lia-se num folheto por que as notas de limão do canapé destacam a frescura do vinho branco, ou o caramelo da beterraba, a doçura do Malbec. Tudo por 75 pesos. E as taças ficavam na mesa, assim você podia provar várias combinações para ver que existem regras básicas, mas, afinal, tudo é uma questão de gosto. O que geralmente é igual pra todo mundo é que não se sai de um banquete desses 100% sóbrio.

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